- Editora: Novo Século
- Autora: Lilian Reis
- Nota: 5/5
Eu, meu pai e os meus outros amores... Há coisas na vida que acontecem e a pessoa se revolta, fica com raiva de tudo e de todos, contudo, Jade teve que aprender da maneira mais dura, que o mundinho no qual ela vivia era fútil, uma imensa bola cheia de nada. Para Jade, tudo que importava era sua mãe, padrasto e amiga. O pai era um sonho inalcançável, uma figura por quem Jade nutria “sentimentos incompreensíveis”. Ela acreditava que aquela vida de badalações, academia de dança, luais, e festas eram tudo de bom, e para o qual valia a pena viver. O resto era descartável. Entretanto, Jade fora inserida “contra sua vontade”, em outro mundo. Um lugar completamente sem valor para ela. As pessoas pouco lhe interessavam e tampouco ela acreditava que eles se interessassem por ela. Para ela, uma garota da cidade grande, o que importava eram as coisas que ela podia fazer e a maneira como se divertia, e amava apenas essas pessoas que eram seu ”tudo”... Uma história cheia de emoções, conflitos, dúvidas e descobertas, que tem um enredo gostoso, uma linguagem jovem e engraçada. Prepare-se para conhecer o outro lado do mundo de Jade. Uma adolescente quase adulta, que se mostrou rebelde e marrenta. Será que Jade aprenderá com seus erros a ser uma pessoa melhor? O livro aborda vários temas importantes, dentre eles a primeira transa, a amizade, e os sentimentos de um modo geral. Contudo, a abordagem principal é o amor de Jade por seu pai. Um homem do interior, que conviveu com sua filha apenas nos primeiros anos de vida, mas que a marcou muito. Para ela, o pai foi seu herói, aquele que a acudia dos pesadelos e dos seus medos. Todavia, a imagem deixada por ele apagou-se pelo fato de ele não ser um pai presente. A vida de Jade deu outra guinada após uma tragédia, que a obrigou a viver outra realidade...
Amor a primeira página – sim, se existe amor a primeira vista, eu tive um amor a primeira página com esse livro – foi uma espécie de imprinting¹ desde o dia que a Lílian postou uma foto com uma frase desse livro no meu grupo no face, fiquei desesperada para ler.
Consegui que a Novo Século me enviasse para resenha e adivinha? Li em uma sentada, não consegui parar.
Após um terrível acidente, Jade – a protagonista – perde sua amada mãe e seu querido padrasto. E é obrigada a se mudar do Rio, para um interior em Minas Gerais, chamado Estrela do Campo, para morar com o pai, a madrasta e os filhos dela. Em outras palavras, a vida de Jade toma um rumo jamais imaginado.
Como de costume, a protagonista me deixou irritada várias vezes, Jade é uma menina muito mimada e cabeça dura, em vários momentos teve atitudes que eu discordei, como por exemplo, a maneira que ela lidava com todos os recentes acontecimentos, a forma como ela tratava seu pai – visivelmente infeliz por ter se mudado para o interior – até ai entendemos, afinal ela perdeu a mãe, mas depois de um tempo percebemos que ela quase não sofre mais pela perda – pra mim foi rápido demais – e ela passa apenas a odiar tudo que a rodeia. Porém no decorrer da trama, ela amadurece bastante, fazendo com que eu passasse a admirá-la.
Temos também os – lindos – filhos de Isolda, madrasta de Jade. Eduardo mais conhecido como Duke ou Du e Fred, fiquei imensamente encantada e envolvida com esses garotos, se a intenção da Lílian era me deixar apaixonada por personagens fictícios e proibidos, ela conseguiu.
Duke é um garoto encantador, carismático e imensamente lindo, apesar de que em muitos, Jade o comparava com Zac Efron, na minha imaginação ele não era nem um pouco parecido – ok isso não vem ao caso – e Fred em muitos momentos comparado com Ian Somerhalder me levou a loucura, todos estão cansados de saber que tenho uma queda enorme por esse lindo ator. Mas não foi isso que me deixou apaixonada pelos meninos, e sim a personalidade deles – claro que a aparência também – mas a forma como a Lílian traçou seus jeitos foi fascinante. Apesar de Fred, ter os traços do meu amor Ian, logo de cara quem me conquistou com seu jeitinho bobo e maroto foi o Eduardo, talvez pelo seu nome, afinal Eduardo é meu nome masculino favorito, desde sempre.
Voltando ao livro...
Afinal, fico nitidamente empolgada ao falar desses rapazes.
Bernardo é o pai de Jade, durante todo livro percebi o amor incondicional que ele tinha pela filha, tentando de todas as formas possíveis faze-la feliz, e era retribuído da forma mais grotesca possível, Jade o tratava muito mal, pois ela tinha uma grande magoa com relação à separação dos pais.
Vários pontos me fizeram ficar encantada com a trama, e um dos mais positivos foi o fato do livro abordar vários pontos de vistas. Pude saber um pouco mais sobre cada um dos personagens, cada um contava sobre seu ponto de vista determinada parte da história – quando chegou a vez do Duke, quase vomitei arco-íris – foi bem interessante.
O livro é um mix de várias sensações, horas eu ria com as trapalhadas de Jade e Duke, horas eu chorava com as dores de perder um ente querido, em vários momentos pude me colocar no lugar de Jade, e sofrer com ela, admito ter derramado uma ou duas – ou cem? – lágrimas no decorrer do livro. Tudo é muito intenso.
Não temos grandes acontecimentos, como clãs de vampiros, ataques apocalípticos, híbridos querendo controlar a terra, nem nada do gênero. Nesse livro temos uma história suave, diria até angelical, algo mais natural. Uma história que acontece no nosso dia a dia, então não espere que algo de surreal aconteça. Mas sem dúvidas um livro que indico a todos que gostam de fugir da sua rotina, que gostariam de relaxar e aproveitar um bom livro.
Um romance regado por humor, superação e amor incondicional. Aprendi muito com o livro, ele nos trás uma boa questão a ser debatida: “A Família”. Será que estamos dando valor a nossa? Devemos repensar, pois nada é para sempre. Portando seja corajoso, fale o que sente, deixe que seus sentimentos falem por si, ame incondicionalmente e acima de tudo, dê valor a sua família, pois ela é tudo que nós temos. Vamos dar valor ao que temos agora, pois amanhã pode ser tarde demais.
Você vai vivendo e de repente “Puf” – Horacio Slughorn
¹- Imprinting é mais uma das particularidades dos lobisomens na série Crepúsculo. É mais ou menos como um feitiço em que o lobisomem e o objeto da impressão se apaixonam perdidamente um pelo outro.