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Resenha: Confissões do Crematório - Caitlin Doughty


Ainda jovem, Caitlin conseguiu emprego em um crematório na Califórnia e aprendeu muito mais do que imaginava barbeando cadáveres e preparando corpos para a incineração. A exposição constante à morte mudou completamente sua forma de encarar a vida e a levou a escrever um livro diferente de tudo o que você já leu sobre o assunto.
Confissões do Crematório reúne histórias reais do dia-a-dia de uma casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos filosóficos, históricos e mitológicos. Tudo, é claro, com uma boa dose de humor. Enquanto varre as cinzas das máquinas de incineração ou explica com o que um crânio em chamas se parece, ela desmistifica a morte para si e para seus leitores.
O livro de Caitlin – criadora da websérie Ask a Mortician – levanta a cortina preta que nos separa dos bastidores dos funerais e nos faz refletir sobre a vida e a morte de maneira inteligente, honesta e despretensiosa – exatamente como deve ser. Como a autora ressalta na nota que abre o livro, “a ignorância não é uma bênção, é apenas uma forma profunda de terror”.

O livro apresenta uma história de não ficção, onde a autora é a nossa protagonista, contando seu dia a dia em uma indústria funerária. Caitlin é uma jovem que conseguiu um emprego em um crematório. De cara já podemos perceber que não é uma leitura que vai agradar a todos, não serão todos os estômagos que iram suportar as passagens detalhadas sobre o cheiro, a aparência, a textura dos cadáveres. Para aqueles que sempre tiveram vontade de saber o que se passa com os corpos ao serem entregues a funerária, eis a resposta. Ela nos conta detalhadamente todo o processo de um corpo até sua cremação. 

"Os olhos dele, abertos para o nada, tinham se tornado vazios como balões murchos. Se os olhos de uma pessoa amada são um lago límpido numa montanha, os de Byron eram uma poça de água parada." 
- Página 17 

Apesar de se tratar de um assunto forte, o livro não é nada pesado. A narrativa é envolvente e fluida, te deixando muito curiosa a respeito das próximas páginas, além de Caitlin nos imergir completamente ao mundo fúnebre, nos apresentando diversos rituais antigos, curiosidades e nos abre os olhos a respeito da indústria da morte, como a própria Cat (Intima depois de ler esse livro) relata. 

A leitura pode incomodar demais para pessoas sensíveis, pois teremos detalhes sobre como acontece a cremação de bebes, por exemplo. Além de explicações detalhadas a respeito de como triturar ossos queimados, embalsamentos, fetos deformados, pessoas em alto nível de decomposição, fedores pútridos de mortos, e acredite, a autora fala com tanta propriedade que eu posso jurar conseguir sentir esses cheiros narrados. 

"Satisfeita por ter feito meu trabalho e levado um homem de cadáver a cinzas, saí do crematório às cinco da tarde, coberta de uma fina camada de pó de gente." 
- Página 39 

O livro traz vários questionamentos também, sobre a morte, sobre os nossos mortos, sobre como estamos deixando hábitos antigos para trás e tratando a morte como algo completamente normal. Não que isso seja ruim, mas o ponto é que muitas pessoas estão entregando seus entes queridos nas mãos das funerárias sem o mínimo de "sentimento envolvido", como por exemplo, os pais que entram no site da funerária e passam a localização do hospital onde o corpo do seu filho se encontra, pagam com cartão de crédito e esperam 7 dias as cinzas chegar pelos correios. Sem saber realmente o que se passa lá dentro. 

"Embora você possa nunca ter ido a um enterro, dois humanos do planeta morrem por segundo. Oito no tempo que você levou para ler essa frase. Agora, estamos em quatorze. Se isso é abstrato demais, considere este número: 2,5 milhões. Os 2,5 milhões de indivíduos que morrem nos Estados Unidos por ano." 
- Página 51 

As páginas amareladas no estilo Darkside facilitam muito a leitura, tornando-a mais agradável. Essa edição é fabulosa (momento clichê, pois todas as edições da Darkside são hahaha), os detalhes contando com imagens anatômicas do corpo humano, a contra capa instigante, a capa maravilhosa, diagramação e espaçamento confortáveis aos olhos. Enfim, tudo contribui para uma leitura inesquecível. 


Ano: 2016 / Páginas: 260
Idioma: português
Nota: 5\5 Favorito

Editora: DarkSide® Books

Resenha: Menina Má - William March



Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.
MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.


Em menina má conhecemos a história de Rhoda, uma garotinha de apenas oito anos aparentemente indefesa, fofa, amorosa, inteligente – insira aqui todos os adjetivos bons que uma criança pode ter – Mas, vamos descobrindo com o decorrer da leitura que esta tão inocente criaturinha é capaz de fazer barbaridades. Logo no começo do livro você avalia o comportamento de Rhoda, algumas das suas atitudes não são “normais” para uma criança.

A maior interrogação que paira na nossa cabeça seria o fato do mal estar instalado na gente desde o nosso nascimento, caso contrario como uma criança o adquiria? Sendo que o ambiente que cerca a menina é tranquilo, amoroso, e ela tem o carinho completo da sua mãe. Que também é uma personagem muito explorada pelo autor. O mal seria genético? Adquirido? Plantado? What? 

O livro foi publicado originalmente em 1954, portanto a narrativa tem aquela pegada de antigamente, onde os atos eram aparentemente mais inocentes do que atualmente. E o autor frisa muito em chocar o leitor a respeito dos atos de Rhoda, sobre o que ela é capaz de fazer, sobre como a mãe dela consegue lidar com todos os acontecimentos. O final deste livro é maravilhoso, devastador, angustiante, perfeito. Não conseguiria imaginar algo tão grandioso. 

William é um autor que consegue prender o leitor, consegue te fazer embarcar na história de uma forma que você acredita fielmente que tudo aquilo está acontecendo na rua da sua casa. O psicológico é muito abordado, o que eu achei fantástico. Se você gosta desse tipo de livro que foge um pouco da vibe de terror sobrenatural e vem para um terror psicológico, eu indico demais esse livro. 

E vamos falar um pouco da edição, está fabulosa. A diagramação, o espaçamento, as páginas... Tudo se completam para que a leitura seja a mais “agradável” possível. Entre aspas, pois duvido muito que você consiga considerar a leitura deste livro em questão como sendo algo agradável. A capa é linda, remete muito a inocência, coisas fofas, bonecas... Não deixe-se enganar, minha mãe viu o livro e achou lindo (tirou foto com ele e tudo), quando eu disse do que se tratava a história ela apenas ficou horrorizada hahaha’. 

Apenas um livro arrebatador. Leia!


Ano: 2016 / Páginas: 272

Idioma: português 
Nota: 5/5 - Favorito
Editora: DarkSide® Books

Resenha: Ed & Lorraine Warren: Demonologistas



Eles enfrentaram os mistérios mais sinistros dos últimos sessenta anos, sempre em busca da verdade. Agora é a sua vez de entrar em contato com o sobrenatural. Você tem coragem? Então leia Ed & Lorraine Warren: Demonologistas, a biografia definitiva dos mais famosos investigadores paranormais do nosso plano astral.
Não é de hoje que os fãs do terror conhecem Ed Warren e sua esposa, Lorraine. O casal foi retratado em filmes de grande sucesso, como Invocação do Mal, Annabelle e Horror em Amityville. Mas basta folhear as páginas de Ed & Lorraine Warren: Demonologistas para constatar que, muitas vezes, a vida pode ser bem mais assustadora que o cinema. No livro, Gerald Brittle desvenda alguns dos principais casos reais vividos pelos Warren. Ed e Lorraine permitiram ao autor acesso exclusivo aos seus arquivos sobrenaturais, que incluem relatos extraordinários de poltergeists, casas mal-assombradas e possessões demoníacas. O resultado é um livro rico em detalhes como nenhum outro.

Resenha: Psicose - Robert Bloch


  • Editora: DarkSide
  • Autor: Robert Bloch
  • Páginas: 240
  • Nota: 
  • Skoob

Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!




Livro que deu origem ao filme Psicose, lançado em 1960 dirigido por Hitchcock. Após 50 anos do lançamento da primeira edição, Psicose ganha uma nova e linda versão publicada pela editora DarkSide. Ao ler o livro de Robert, Hitchcock ficou tão fascinado pela história que acabou comprando os exemplares e os trancafiou em uma sala, pois não queria que as pessoas soubessem do final antes de assistirem o seu filme, ele comprou os direitos na obra de Robert por míseros 9 mil, e adivinha? Ganhou cerca de 40 milhões. De inicio foi muito difícil conseguir produzir o filme, pois ele era taxado como “pesado” para a época, criando maior polemica. Quem não assistiu ao filme provavelmente vai se surpreender com o desfecho do livro, quem assistiu pode ser que perca um pouco daquele impacto, mas isso de maneira alguma atrapalha o desenrolar da leitura, tanto que dei cinco estrelas e ainda adicionei aos favoritos. 

E quem não lembra da tão famosa cena do banheiro? Com aquela música clássica de terror, que provocou muitos sustos em diversas pessoas pelo mundo?



Confesso que o livro sem sombra de dúvidas é melhor que o filme, apesar do filme ser um clássico do terror/suspense. A narrativa de Robert é majestosa. A cada página somos presos a uma aterrorizante vontade de saber mais sobre o Bates Motel, de adentrar aquelas paredes e conhecer seus segredos, e seus sombrios donos, Norma e Norman Bates, Norman é um homem de aproximadamente 40 anos que é assombrado por sua tenebrosa mãe, ele nunca casou, nunca namorou e vive até os dias de hoje na “barra da saia” de Norma. A personalidade de Norman é tensa demais, ele tem explosões de humor que nos dão calafrios. 

Tudo no Bates Motel muda a partir do dia que Mary entra por aquela porta, atrás de um lugar para ficar, Após fugir de sua cidade por ter efetuado um roubo de nada menos que 40 mil dólares. Marion é uma mulher bonita, com seus 27 anos aproximadamente, e logo acaba chamando a atenção de Norman, que é um homem nada acostumado com as mulheres. Esse é o ponto do livro onde tudo começa, onde as coisas começam a ter um efeito diferente, foi nesse exato momento da chega de Marion que eu comecei a ter uns calafrios básicos, Não que a história seja do terror mais assustador do mundo, mas a forma como Robert escreve consegue ser tão sombria que não fazemos idéia do que esperar nas próximas páginas. 

Comecei esse livro despretensiosamente, pois já tinha ouvido falar que era bem diferente do filme, e como faz tempo que assisti ao filme, consegui absorver muito mais da história. E foi sem um dos melhores finais pra mim, não poderia esperar um desfecho melhor. 

Norman é um tipo diferente de vilão, entendemos tudo no final. Mas posso adiantar vocês não se arrependeram de ler. 

Conversei com a minha mãe sobre o filme, e ela acabou me contando que na época, as pessoas morriam de medo, e se você parar para pensar no filme de 1960, nos dias de hoje não provoca o mínimo susto, estamos familiarizados com filmes tão mais assustadores que aquele clássico não nos convence mais, porém, se você for – assim como eu – um grande apreciador de filmes antigos, provavelmente irá gostar. Mas com o livro é diferente, pois quando lemos, acabamos nos transportando para o Bates Motel, e acabamos criando o nosso ponto de vista, o nosso universo, Robert sabe como nos transportar para as páginas e nos fazer imaginar as cenas mais grotescas que você puder imaginar. Cada detalhe que ele escreve nos provoca diversos sentimentos e sensações, são cheios, gostos, medos, calafrios... 

Se você assistiu ao filme leia o livro e não se arrependerá. Indico. Nada que eu escreva aqui, consegue expressar realmente o que você sente ao entrar no Bates Motel.

Fonte: http://princesa-descolada-myla.blogspot.com/2013/03/paginacao-numerada.html#ixzz2j39CpByO